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Documentário / Centrais Hidroelétricas

O Lodo, as Estrelas e os Sábios

“O Lodo, as Estrelas e os Sábios” é um documentário que vive entre a coragem da aventura modernista de um conjunto de jovens arquitetos, nos anos 50 e 60 do século passado, num lugar remoto, e a dura experiência humana, feita de muito esforço e suor, de a construir.

A ação é um intercalar entre a visita da arquiteta e professora Graça Correia Ragazzi e um jovem arquiteto às centrais hidroeléctricas, situadas em Trás-os-Montes, junto à fronteira Portugal-Espanha, e textos retirados do polémico “O Lodo e as Estrelas”, escrito por um padre (o padre Telmo Ferraz), sobre os trabalhadores, seres humanos frágeis, muitas vezes doentes, a viver longe das famílias, que ouviu com grande sensibilidade. Inclui ainda uma surpresa proporcionada a um dos arquitetos do empreendimento, João Archer de Carvalho, personalidade fundamental para explicar como se processaram os trabalhos e como se construiu obairro onde habitaram os trabalhadores, o pessoal especializado e o pessoal dirigente (os “sábios”, segundo se dizia).

Assim se consegue ter um retrato completo , com uma componente ao mesmo técnica e funcional, dedicada ao objetivo de eletrificação do país, a estética de vanguarda (sobretudo para a altura) e a dimensão humanista fundamental para se perceber o que era viver num Portugal pobre, feito de gente que tinha de lutar para viver com o mínimo de dignidade que muitas vezes lhe era negada.

O trabalho é assinado, tal com aconteceu com o documentário sobre o arquiteto Ruy d’Athouguia e o arqueólogo Cláudio Torres, por Ricardo Clara Couto e Nuno Costa Santos. A produção volta a ser da Clara Amarela Films.

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